Brasil Chora a Perda de Luiz Carlini, O Gênio da Guitarra de Rita Lee

O rock nacional amanheceu mais triste nesta sexta-feira. Morreu Luiz Sérgio Carlini, o mago das seis cordas que ditou o ritmo da carreira de Rita Lee durante a efervescente década de 1970. Aos 73 anos, a notícia de seu falecimento, ocorrido na quinta-feira (7/5), foi confirmada pelos entes queridos através das redes sociais do músico. A causa exata do passamento, contudo, não foi revelada até o momento.

Carlini se consagrou como uma figura central do rock em terras brasileiras, forjando sua própria assinatura com um estilo melódico e ao mesmo tempo visceral. Ele se eternizou na memória coletiva, em especial, pelo solo arrepiante de “Ovelha Negra”, canção marcante que Rita Lee imortalizou no álbum “Fruto Proibido” (1975). Este trabalho, aliás, é amplamente considerado o mais influente da discografia roqueira nacional. O guitarrista soube mesclar a energia crua do rock’n’roll de bandas como os Rolling Stones com a leveza pop da Jovem Guarda, contribuindo decisivamente para moldar o repertório inicial de Rita Lee. Seu talento ajudou a estrela a superar todas as expectativas numa época em que o país ainda não abraçava totalmente aquele gênero musical.

A ligação de Carlini com Rita Lee não era por acaso. Antes mesmo de assumir as seis cordas em sua banda, ele já estava atento ao fervilhante cenário musical paulistano, vizinho dos integrantes dos Mutantes no bairro da Pompeia. Em seus primeiros passos, o futuro instrumentista chegou a trabalhar como roadie para o grupo, carregando equipamento e afinando a guitarra de Sergio Dias. Quando Rita foi afastada dos Mutantes pelos irmãos Arnaldo Baptista e Sergio Dias, que buscavam um caminho mais progressivo, ela tentou um projeto acústico. Contudo, a proposta não incendiou o público nos primeiros espetáculos. Foi então que ela buscou Carlini, que possuía um conjunto com o baixista Lee Marcucci e o baterista Emilson Colantonio. Com a ruiva no vocal, o trio foi batizado com um famoso nome do rock: Tutti Frutti.

A banda demorou a emplacar, enfrentando boicotes da gravadora Phonogram, que até alterou composições sem o conhecimento da cantora. Rita, então, uniu forças com Tim Maia para dar um basta e conseguiu rescindir o vínculo. Em 1975, ela assinou com a Som Livre, recebendo total liberdade para gravar. O fruto dessa autonomia foi “Fruto Proibido”, um LP recheado de êxitos como “Ovelha Negra”, “Agora Só Falta Você”, “Esse Tal de Roque Enrow” e “Luz del Fuego”. Carlini gravou quatro álbuns com a roqueira. O último foi “Babilônia”, lançado em 1978, ano em que Roberto de Carvalho ingressou como tecladista. Sentindo-se deixado de lado pelo novo membro – que se tornaria marido de Rita –, o guitarrista decidiu romper a parceria, levando consigo o nome do conjunto.

Carlini ainda tentou manter o sucesso do Tutti Frutti com um novo vocalista, Simbas, ex-Casa das Máquinas. Infelizmente, essa nova formação não alcançou a mesma popularidade. Para piorar, o único LP sofreu censura da ditadura por causa de uma canção, atrasando seu lançamento e culminando no fim da banda no início dos anos 80. Mesmo com o fim do Tutti Frutti, Carlini jamais parou de criar música. Ele participou de mais de quatrocentas gravações e colaborou com os maiores nomes do rock brasileiro, incluindo Erasmo Carlos, Guilherme Arantes, Supla, Lobão, Titãs, Barão Vermelho e Camisa de Vênus, com quem excursionou nos anos 90. Mais recentemente, integrava o grupo da turnê “50 Anos Luz”, de Guilherme Arantes, artista com quem já havia gravado em outros tempos. Sua vida e carreira foram celebradas no documentário “Luiz Carlini – Guitarrista de Rock”, lançado por Luiz Carlos Lucena em 2023. Carlini nos deixa um legado de inventividade e inovação que continuará a ecoar por muitas gerações de músicos e fãs.

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