Um ano após uma estreia impactante, o longa “Manas” ainda movimenta o público, e sua diretora, Mariana Brennand, faz um alerta emocionante sobre a dura realidade que inspirou a obra. A cineasta expôs os terríveis crimes contra mulheres e crianças na Ilha de Marajó, no Pará, uma questão que a deixou profundamente abalada. Ela desabafou durante o Prêmio Platino Xcaret: “Como mulher, depois de ouvir isso, de saber dessa realidade, para mim era fundamental fazer alguma coisa para tentar ajudar”.
A produção, estrelada pela talentosa Jamilli Correa, é fruto de mais de uma década de pesquisas e dedicação da documentarista. Mariana descobriu a existência de atrocidades frequentes e silenciadas que ocorrem na região. Ela reforçou que ouvir os relatos de violência contra crianças de apenas 8 a 10 anos “é aterrador”, mas ressaltou a necessidade de dar voz a essas histórias. “Manas surge como uma ficção para tentar dar conta essa realidade, dessas histórias que são nossas histórias. De nós mulheres no Brasil”, completou a realizadora, mostrando a relevância do enredo.
Desde seu lançamento, o filme colecionou reconhecimentos em festivais de cinema pelo mundo afora, mas o maior triunfo reside em seu efeito direto na vida das pessoas. Em uma conversa reveladora, a documentarista contou ao Metrópoles que recebe inúmeros relatos de mulheres que, inspiradas pela ficção, decidiram buscar ajuda. “Em um âmbito pessoal, cada mulher transformada saindo [da sessão] do filme é uma vitória para mim”, comemorou. A obra também colocou Marajó novamente sob os holofotes do Brasil, e a esperança é que haja agora uma presença mais firme do Estado para garantir educação aos pequenos e punir os agressores.
