A lista de convocados de Carlo Ancelotti para a Copa do Mundo está batendo à porta, e um dilema antigo já divide opiniões nos corredores da Granja Comary. Com o anúncio definitivo marcado para a próxima segunda-feira, a discussão vai muito além da pura capacidade técnica de alguns jogadores. Nomes experientes, como Danilo e Alex Sandro, ambos do Flamengo, personificam essa encruzilhada, carregando uma confiança quase inabalável da comissão técnica, mesmo diante de questionamentos sobre sua forma atual.
Estes dois atletas possuem históricos robustos: atuaram em gigantes do futebol europeu, participaram de Mundiais e vivenciaram diversas fases da equipe nacional. A ligação deles com Ancelotti parece particularmente forte; o treinador italiano conhece a fundo esse tipo de esportista — dedicado, taticamente obediente, com grande bagagem e acostumado a lidar com a pressão de alto nível. Contudo, uma indagação se fortalece entre a torcida e a mídia: faz sentido que mantenham um posto tão estabelecido nesta etapa da preparação?
Não se trata de uma conversa trivial, pois abrange hierarquia, comando, ausência de outras alternativas viáveis e o impacto emocional de um torneio tão grandioso. No entanto, ela também esbarra em uma realidade incontornável do futebol: o desempenho presente. O caso de Alex Sandro, por exemplo, é representativo. Até pouco tempo, sua presença era praticamente indiscutível. Ele teve uma colaboração vital na temporada memorável do Flamengo, sendo um componente essencial nas jornadas vitoriosas da Libertadores e do Campeonato Brasileiro, muito mais pela solidez defensiva e pela inteligência tática do que pelo brilho ofensivo.
Ainda assim, o esporte costuma ser menos generoso com atletas veteranos quando a performance começa a flutuar. A fase atual de Alex Sandro está distante de repetir o patamar anterior. Corporalmente, o lateral de 35 anos exibe menos vigor e maior complicação para manter confrontos em ritmo acelerado. Na recomposição da defesa, alguns problemas surgem com frequência. Seu timing na jogada não é tão exato, e seu retorno em jogadas velozes se mostra mais arrastado. No ataque, continua sem apresentar um volume capaz de equilibrar suas possíveis deficiências atrás. É aí que a polêmica ganha força: a Copa do Mundo também não deveria ser sobre momento? Até que ponto o histórico ampara um jogador quando o desempenho corrente decai? Ou a falta de alas esquerdos seguros no Brasil acaba transformando Alex Sandro numa alternativa imediata, mesmo sem atravessar um excelente período? A ponderação talvez não seja sobre convocá-lo, mas sim sobre o seu status de praticamente irrefutável.
