Imagine sair de um trabalho social para comandar um gigante do futebol inglês numa final importantíssima em apenas seis anos! Essa é a história inacreditável de Calum McFarlane, o treinador que, ao lado de seus assistentes Harry Hudson e Dan Hogan, estará à frente do Chelsea neste sábado, disputando a cobiçada final da FA Cup contra o Manchester City. A reviravolta na carreira deste trio é tão rápida que parece coisa de cinema, deixando muita gente de queixo caído.
Contudo, essa ascensão meteórica não veio sem burburinhos. Circulam acusações de uma suposta “panelinha” ou apadrinhamento, dado o vínculo antigo do grupo com Joe Shields, um dos chefes de recrutamento do Chelsea, que remonta aos tempos em que trabalhavam na Kinetic Foundation, uma instituição beneficente do sul de Londres focada em esporte e educação para jovens carentes. James Fotheringham, cofundador da Kinetic, não hesita em refutar as insinuações, classificando-as como pura inveja. “A narrativa é de pessoas sendo dadas uma oportunidade injusta”, declarou ele, referindo-se aos ataques virtuais que a Kinetic tem recebido desde que McFarlane assumiu o comando interino do Chelsea pela segunda vez nesta temporada.
Fotheringham defende McFarlane com unhas e dentes: “Calum fez o trabalho duro no City, Southampton e Chelsea e tem temporadas nas costas para chegar a essa posição. Acho que se alguém é jogado em um ambiente de seis jogos, você traz alguém com quem esteve na beira do campo por 300 jogos e que sabe como você trabalha … Essa é a verdade da situação em que Calum está.” Joe Shields, apesar de ter conhecido Hudson na academia do Crystal Palace e ter observado talentos da Kinetic em passagens pelo City e Southampton, nunca teve uma ligação formal com a fundação. McFarlane, por sua vez, chegou ao Southampton como técnico sub-18, e depois se juntou ao Chelsea no meio do ano, levando Hudson e Hogan consigo.
Em janeiro, McFarlane já havia impressionado em sua primeira vez como interino, inclusive arrancando um empate contra o próprio City, o que lhe rendeu a promoção para a equipe técnica de Liam Rosenior. Uma reformulação interna na base do Chelsea reorganizou o time, com Hogan assumindo os sub-18 e Hudson os sub-21. Fotheringham elogia Hogan: “Ele já treina há 10 anos e é provavelmente o treinador mais jovem a fazer isso.” Sobre Hudson, Fotheringham comenta: “Harry não tem redes sociais. Ele sempre foi do tipo: ‘As pessoas podem dizer o que quiserem.’”
A Kinetic Foundation, criada por Fotheringham e Hudson após os tumultos de 2011 como um “passion project” que rapidamente ganhou impulso, já enviou mais de 80 jogadores para clubes profissionais. Mais impressionante ainda, a prioridade da instituição é o futuro dos 400 jovens anuais do programa Futures, com mais de 60% ingressando em universidades. “Estamos tentando mudar mentalidades … Passamos dois anos árduos garantindo que eles ampliem seus horizontes”, finaliza Fotheringham, ressaltando o impacto social duradouro da Kinetic. O sucesso de McFarlane é, sem dúvida, um testemunho do potencial da base que ele ajudou a construir, mostrando que o trabalho conjunto, iniciado lá na Kinetic, é a verdadeira força por trás dessa extraordinária jornada até o topo do futebol inglês.
