Um enredo digno de cinema, com reviravoltas e emoções à flor da pele, marcou a reta final do Campeonato Escocês, onde o Celtic protagonizou uma virada de tirar o fôlego. Oito meses de perseguição incessante, 32 embates e incontáveis minutos de pura adrenalina finalmente culminaram no grito de campeão para o clube. A consagração veio de forma dramática, arrancada nos últimos instantes, depois de um período extenuante onde a equipe permaneceu na briga, superando obstáculos e conquistando vitórias improváveis, tudo sob a batuta inspiradora de Martin O’Neill.
Para O’Neill, essa conquista representou um acerto de contas com o destino. O técnico, que em passagens anteriores no Celtic Park amargou a perda de dois títulos na rodada final, viu a história se repetir com o mesmo suspense. Restando apenas doze minutos para o apito final, e com o placar apontando um empate que entregava o campeonato ao Hearts, a tensão era palpável. Os “reis dos gols no fim”, como são conhecidos, avançaram com tudo, mas a bola parecia não querer entrar. Com onze minutos restantes, Kelechi Iheanacho carimbou a trave. Em seguida, Benjamin Nygren forçou uma defesa espetacular do goleiro Alexander Schwolow, do Hearts.
O tempo corria implacável; o Hearts era campeão por poucos minutos, para desespero dos torcedores do Celtic. Contudo, a persistência foi recompensada. Faltando apenas três minutos para o término do tempo regulamentar, o time escocês conseguiu o tento que selou a vitória e o campeonato. O herói improvável da noite foi Daizen Maeda, que com um gol crucial virou o placar, em uma jogada iniciada por Callum Osmand, retornando aos gramados pela primeira vez desde novembro. Maeda, visivelmente emocionado após o jogo, havia sido uma força motriz nas últimas semanas, marcando em cinco partidas consecutivas e demonstrando uma energia contagiante.
Ao longo da maior parte do dia, o Celtic jogou de forma apagada, sem criatividade ou precisão, e o Hearts controlou as ações com facilidade. Após mais de meia hora, os mandantes não haviam acertado um chute ao gol e tiveram apenas dois toques na área adversária. Lawrence Shankland, capitão e ídolo do Tynecastle, abriu o placar para o Hearts, intensificando o drama. Com a necessidade de dois gols, Arne Engels converteu um pênalti, enquanto Iheanacho e Osmand, que entraram no segundo tempo, foram peças fundamentais na reviravolta. Apesar da euforia, a invasão do campo pelos torcedores do Celtic gerou controvérsia, irritando a equipe do Hearts, que deixou o local apressadamente. Uma investigação sobre o incidente deve acontecer, prometendo mais desdobramentos para essa história.
