Gênio por Trás de Alexandre em ‘A Viagem’ Detona ‘Crise Criativa’ da TV

Um grito de alerta rasgou a cortina dos estúdios brasileiros! Enquanto uma nova releitura de ‘A Viagem’ promete agitar as emoções, um nome de peso se levanta para questionar a febre dos remakes na televisão nacional. Heitor Werneck, a mente brilhante por trás da icônica construção visual do personagem Alexandre na versão original dos anos 90, não poupa críticas e aponta o dedo para uma crise de criatividade que, segundo ele, assombra a nossa telinha.

Conhecido por sua trajetória marcante na cena underground de São Paulo e por projetos que sempre exibiram uma estética provocadora e experimental, Heitor não se cala. Para o artista, essa avalanche de regravações escancara uma falência criativa cada vez mais nítida na nossa indústria do audiovisual. Ele enxerga que o recurso a obras já consagradas apenas demonstra a incapacidade das emissoras de investir em conceitos inovadores e narrativas verdadeiramente autorais. Sua indignação é palpável: “Falta de criatividade. Fazer remake é perigoso. Regressão eterna. Cadê os roteiristas? Cadê os temas atuais?”

O produtor cultural argumenta que figuras como Alexandre ganharam o coração do público justamente por carregarem uma personalidade própria, sem a preocupação de se moldar a padrões comerciais ou fórmulas de aceitação fácil. Ele lamenta que as atrações de hoje, em sua maioria, tenham perdido a audácia de apostar no incômodo, na originalidade e na intensidade estética que definiram os folhetins de décadas anteriores. “O Alexandre causava desconforto. Era intenso, teatral, sombrio. Existia uma identidade visual muito forte ali. Hoje parece que tudo precisa ser suavizado para ficar mais aceitável”, desabafou. Heitor recorda que o poder de ‘A Viagem’ nascia da fusão entre espiritualidade, tensão psicológica e escolhas visuais destemidas, que não temiam dividir o público. “A novela tinha exagero, tensão psicológica, espiritualidade e uma estética pesada em alguns momentos. Não existia preocupação em deixar tudo limpo ou delicado. Existia personalidade”, recordou ele.

Na ótica do figurinista, muita gente confunde renovação com a total anulação da estética. Ele crê que, na busca por algo ‘leve’ ou comercialmente seguro, as produções acabam perdendo aquilo que as tornava singulares e inesquecíveis. “O problema não é atualizar. O problema é tirar a estranheza, a intensidade e a assinatura estética da obra para transformar tudo em um produto confortável comercialmente”, pontuou. Werneck ainda avalia que a teledramaturgia brasileira perdeu a ousadia artística que florescia nos anos 80 e 90, período em que havia mais liberdade para conceber visuais chocantes e personagens excêntricos. “Nos anos 90 existia mais liberdade estética. Os personagens podiam ser exagerados, visuais marcantes eram permitidos e existia espaço para o estranho, para o incômodo. Hoje tudo parece seguir a mesma fórmula visual”, confirmou. Para ele, a tensão emocional e o visual obscuro de Alexandre o eternizaram: “A tensão emocional, o visual sombrio e até a teatralidade ajudaram a transformar o personagem em algo inesquecível. Não era apenas um vilão comum”. Além de criticar os remakes, Heitor lamenta a escassez de obras que abordem a cultura brasileira atual e as religiões de matriz africana. “Por que não falamos sobre Pomba Gira? Existem tantas histórias brasileiras atuais, culturais e espirituais que poderiam virar séries, nov”, provocou, deixando um desafio para a próxima geração de criadores.

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