Carlo Ancelotti assume Brasil: paixão eterna e missão histórica pela Copa

Carlo Ancelotti não é apenas um técnico, é uma lenda viva do futebol mundial. Com cinco títulos da Liga dos Campeões e troféus nacionais em todas as grandes ligas da Europa, o italiano de 66 anos aceitou o maior desafio de sua carreira: liderar a Seleção Brasileira. Sua missão? Quebrar um jejum que assombra a nação desde 2002 e recolocar o país no topo do planeta, uma jornada que ele encara com uma paixão avassaladora, longe de qualquer obsessão.

Embora muitos o vejam como um ambicioso incurável, Ancelotti nega a pecha, revelando uma filosofia de vida diferente. Ele confessa: “Não sou obcecado por vencer. O que eu tenho é uma paixão por desfrutar dos momentos que o futebol me deu. Não sou obcecado em vencer a Copa do Mundo, mas tenho o prazer e a paixão de aproveitar o momento que estou vivendo, liderando a seleção nacional mais importante do mundo”. Para o multi-campeão, que jogou uma Copa mas nunca comandou um time no torneio, a tarefa de encerrar o período sem Copas, igualando o longo intervalo de 1970 a 1994, parece não o abalar. Afinal, a devoção ao esporte é a sua maior força.

Com 47 anos no alto escalão – 16 como jogador e 31 como treinador – o Carletto demonstra um entusiasmo contagioso por sua profissão. Ele se declara: “Eu não conseguiria viver sem futebol. Se eu não estiver mais em campo, estarei lá como um torcedor assistindo ao jogo. Para mim, assistir a um jogo na TV não é trabalho. É um prazer. Eu realmente amo cinema. Para mim, o futebol é como o prazer de assistir a um filme. É a mesma sensação. No dia em que eu parar de trabalhar no futebol, ainda assistirei da mesma maneira, sem nenhum problema”. Esse jeito especial de se relacionar com o elenco, valorizado por craques como Kaká, Toni Kroos, Gareth Bale e Vinícius Júnior, é a chave de seu sucesso. Ele brinca ao ser questionado sobre o segredo: “Eu realmente não sei. Talvez seja minha atitude, a maneira como me comporto com os jogadores, o respeito que demonstro a eles como pessoas. Dou grande valor à construção desses relacionamentos pessoais”. Ancelotti destaca ainda que o trabalho de um gestor é difícil devido às diversas frentes de atuação: “O mais desafiador é o relacionamento com as pessoas – e também é o mais importante”.

Mesmo com toda a bagagem vitoriosa, alguns críticos o rotulam apenas como um ‘treinador de vestiário’, alguém que triunfa pela boa convivência e não por táticas inovadoras. Ele não se incomoda com esses apontamentos. O comandante rebate: “Eu não ganho títulos apenas por causa do meu relacionamento com os jogadores. As [boas] relações que tenho com os jogadores ajudam porque permitem tirar o máximo do jogador. Às vezes até mais do que o máximo. Mas isso é apenas uma parte do jogo. Não me importa se as pessoas dizem que sou ou não sou um bom tático. Tudo o que posso dizer é que conheço muito bem todos os aspectos do jogo”. Ancelotti tem planos de estender seu vínculo com a Canarinho até a Copa de 2030, quando completará 70 anos. Uma idade avançada para os padrões atuais do futebol, mas que ele encara com a serenidade de quem se adapta constantemente. Ele finaliza, pensativo: “O futebol continua a mudar. Eu tento me adaptar ao que está acontecendo. O futebol hoje é mais analítico, muito mais intenso, mais físico. Algumas táticas, principalmente defensivas, não são tão importantes hoje como eram há 10 anos. A nova geração de treinadores foca mais no ataque.”

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