Casa do Patrão: O reality que naufragou e levantou crise no gênero

Uma promessa de tirar o fôlego virou um pesadelo de audiência em poucas semanas! O reality “Casa do Patrão”, que chegou à telinha no fim de abril, prometia agitar o público com muita polêmica e um formato nunca antes visto. Contudo, a atração da Record em parceria com o Disney+ logo se viu em apuros, lutando para cativar os espectadores e gerar burburinho nas redes sociais. Esse desempenho abaixo do esperado levanta uma questão preocupante: será que o público brasileiro finalmente se cansou de realities ou o problema está na estrutura que foi oferecida?

Para Rick Souza, jornalista especializado no segmento de entretenimento, um dos principais entraves da nova produção reside na sua dinâmica, considerada uma verdadeira bagunça. “Até aqui, a impressão é de que colocaram no ar um produto experimental, em que nem mesmo os envolvidos sabem ao certo quais são as regras e os limites”, avalia o expert. Ele ainda aponta o comportamento de Boninho, criador e diretor da atração, como um fator prejudicial. Suas atitudes nas plataformas digitais provocaram comentários negativos e irritaram a audiência. “Não é raro ver o Boninho entrando em conflito com os participantes por situações triviais, comuns em qualquer reality show, como cantar nos momentos de lazer. Para um produto que se vendeu como inovador também pela liberdade oferecida ao público, esse tipo de interferência acaba sendo desnecessária”, salienta Souza.

Souza também levanta a possibilidade de um esgotamento do gênero entre os telespectadores. “O próprio Big Brother Brasil (BBB) 26, vendido como uma edição histórica, registrou a segunda pior audiência média da história do programa no país. Hoje, com exceção do BBB e de A Fazenda, os realities precisam apresentar algum diferencial para se destacar”, comenta. No entanto, o jornalista Dantas, famoso por seus comentários afiados sobre o tema nas mídias sociais, discorda da visão de saturação. “O brasileiro ama reality show. O público gosta da fofoca, das discussões e da repercussão que esses programas geram. Quando o elenco funciona, as pessoas acompanham”, declara. Para ele, o grande tropeço de “A Casa do Patrão” foi o período em que foi lançado. “É uma dinâmica interessante, mas acho que as pessoas precisam de ‘férias’ de realities show. Quando temos muitos realities, um atrás do outro, acaba cansando”, explica.

Ambos os especialistas, Rick Souza e Dantas, concordam em um ponto: o principal atrativo dos realities continua sendo o embate entre os confinados. Dantas pontua que, antigamente, “o que dava certo era o mocinho ou a mocinha injustiçada. Até mesmo casais faziam muito sucesso. Hoje em dia, o público assiste querendo ver confusão”. Souza reforça essa ideia, garantindo que o caos é a essência do formato. “Os realities são justamente o lugar em que o brasileiro pode torcer por aquilo que ele claramente gosta, ainda que no sigilo: barraco, gritaria e confusão. Ninguém assiste um produto que confina pessoas esperando paz, amor e alto astral.” Fica a dúvida: será que “A Casa do Patrão” conseguiu entregar essa dose de adrenalina que o público tanto busca?

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