Juliano Cazarré causa choque na GloboNews com dados falsos sobre violência

O ator Juliano Cazarré, conhecido por seus trabalhos na televisão, gerou um verdadeiro alvoroço na GloboNews ao veicular informações incorretas durante um painel sobre masculinidade exibido na terça-feira (12/5). O artista usou o espaço da emissora para promover “O Farol e a Forja”, um projeto de mentoria para homens, mas acabou desmentido por outros convidados e pela realidade dos fatos.

Sem apresentar qualquer fonte ou embasamento, o global declarou que a violência feminina contra parceiros ultrapassa os índices de feminicídio. “Mais mulheres mataram homens do que homens mataram mulheres. Tem 2.500 homens assassinados por mulheres no período em que nós tivemos 1.500 mulheres assassinadas por homens”, garantiu Cazarré. A psicanalista Vera Iaconelli, que também participava da bancada, manifestou não conhecer os números. Uma reportagem da revista Veja, publicada na quarta-feira (13/5), revelou que esses dados são amplamente contestados por especialistas, surgindo de um vídeo no TikTok que aplicava uma estatística global de 2013 sobre 46 mil homens assassinados no Brasil em 2024.

O portal G1 já havia refutado o mesmo levantamento equivocado no ano anterior, explicando que a contagem distorcida mistura crimes de violência urbana, cenário onde os homens historicamente são tanto vítimas quanto principais agressores. Contradizendo a versão do intérprete, o Brasil alcançou em 2025 o seu recorde de feminicídios desde que o crime foi tipificado em lei, lá em 2015. Foram 1.470 mortes classificadas dessa forma, uma triste média de quase quatro mulheres assassinadas diariamente apenas por questões de gênero. O consultor em equidade de gênero Ismael dos Anjos precisou intervir ao vivo para corrigir as falas do artista. Ele esclareceu que o número de quase 1.500 mortes, mencionado pelo ator, refere-se apenas aos registros categorizados especificamente como feminicídio, enquanto o total de mulheres vítimas de homicídio no país é bem maior do que esse recorte. “Feminicídio é um crime específico, que é quando uma mulher morre por ser mulher… Porque ela não aceitou uma separação, porque esse marido quer controle sobre o corpo dela”, explicou Ismael. Ele ainda rechaçou a ideia de “crimes passionais”, argumento reforçado por Vera Iaconelli, que cravou: “Crime passional não é uma coisa que a gente usa mais, porque se é paixão, não deveria ser crime”.

Na tentativa de justificar seu programa de mentoria, Cazarré argumentou que sua meta é formar “homens que sirvam”, e que “o homem que não sabe resolver um problema é em si um problema”. Ele concluiu sua defesa do projeto afirmando: “O meu curso é só um pouco de bom senso, sabe? É só também a gente começar a falar ‘a gente também não é a pior coisa do mundo’. Nem todo homem é um opressor”. A discussão acalorada e a propagação de dados distorcidos geraram uma enxurrada de críticas nas redes sociais, levantando questionamentos sobre a responsabilidade de figuras públicas ao abordar temas tão delicados em plataformas de grande alcance.

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