Imagine a cena: um time em campo, outro simplesmente pulverizado. Foi exatamente isso que aconteceu em 15 de junho de 1982, quando a Hungria protagonizou o maior massacre da história da Copa do Mundo masculina. Com um placar impiedoso de 10 a 1 sobre El Salvador, os europeus não apenas venceram, mas humilharam, estabelecendo uma marca inacreditável de nove gols de diferença que perdura até hoje. Nesse dia fatídico em Elche, na Espanha, a seleção salvadorenha viveu um verdadeiro inferno, enquanto os húngaros celebravam uma façanha inigualável.
Aquele duelo pelo Grupo C parecia desigual desde o apito inicial, mas ninguém imaginava tal estrago. A equipe de El Salvador já chegava abalada, enfrentando graves questões políticas internas em seu país e o cansaço extremo de uma viagem mal planejada para o continente. No gramado, o domínio tático e técnico dos húngaros foi avassalador desde os primeiros instantes, transformando o jogo em um monólogo. O grande destaque daquela jornada não foi um jogador que começou a partida, mas o atacante reserva László Kiss, que entrou no segundo tempo e, em apenas sete minutos, marcou um hat-trick histórico. O gol de honra salvadorenho, anotado por Luis Ramírez Zapata, foi o único alento para a torcida da América Central em toda a competição, um pálido consolo em meio à tamanha desventura.
A superioridade húngara de 1982 divide o pódio com outras demonstrações brutais de força. Em 1954, também a Hungria, liderada pelo lendário Ferenc Puskás, aplicou um devastador 9 a 0 na Coreia do Sul. Mais tarde, em 1974, a Iugoslávia não tomou conhecimento do Zaire, repetindo o placar de 9 a 0, mostrando que o abismo entre as equipes era uma constante em mundiais antigos. Essas goleadas massivas eram mais comuns em épocas passadas, quando a disparidade tática e técnica entre as seleções europeias e as equipes estreantes, muitas vezes sem grande investimento, era assustadora. Registros históricos apontam outros encontros com vantagens esmagadoras, como Suécia 8 x 0 Cuba (1938) e Uruguai 8 x 0 Bolívia (1950), verdadeiros atropelamentos que marcaram suas edições.
Hoje em dia, com o preparo físico avançado e sistemas defensivos cada vez mais eficazes, resultados tão elásticos se tornaram uma raridade no futebol. As defesas dos times considerados menores aprenderam a se postar de forma compacta, dificultando os famosos “massacres” que eram corriqueiros em décadas anteriores. Mesmo com essa evolução, o imprevisível mundo da bola ainda nos reserva surpresas inesquecíveis, como o traumático 7 a 1 da Alemanha sobre o Brasil em 2014, uma ferida que nunca cicatriza para nossa torcida. Recentemente, no Catar em 2022, a Espanha também fez bonito, aplicando um sonoro 7 a 0 na Costa Rica, provando que, de vez em quando, o espetáculo da goleada ainda pulsa nos gramados da Copa.
